Imóveis a preços olímpicos

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Como em outras cidades que já sediaram os Jogos, o mercado imobiliário
do Rio de Janeiro está eufórico. Resta saber se ele tem fôlego para
os 50 metros rasos ou a maratona.
 

A escolha do Rio de Janeiro como sede da Olimpíada de 2016 deflagrou uma alta no preço dos imóveis que espanta pela velocidade – jamais vista no mercado imobiliário carioca nem no de qualquer outra parte do país. Em dois meses, o aumento foi de 10%, taxa que costuma ser anual. As projeções do mercado dão conta de que, com o PIB do país crescendo e sem nenhuma nova crise no horizonte, os valores podem chegar, até os Jogos, ao dobro dos atuais em alguns bairros. Se essa previsão se confirmar, a valorização dos imóveis no Rio vai ombrear com a de Barcelona. O impacto da Olimpíada no setor imobiliário da cidade espanhola, que sediou os Jogos em 1992, foi o maior até hoje observado. O detalhe relevante é que, no mercado carioca, os preços já são salgados. Não há no Brasil metro quadrado tão caro quanto o dos edifícios da Avenida Delfim Moreira, debruçados sobre a Praia do Leblon: 25 000 reais. Esses valores devem crescer ainda mais. Muita gente já compra imóvel antecipando uma escalada – e, com isso, leva a profecia a se realizar. Outros veem se descortinar um negócio promissor. Resume Rodrigo Sancovsky, sócio da paulistana Fama, uma das maiores gestoras de fundos com investimento no mercado imobiliário: “O Rio deixou de ser patinho feio para se tornar um alvo prioritário”.  

Os efeitos de uma Olimpíada sobre o mercado imobiliário sempre são mais expressivos em cidades de infraestrutura precária, coisa que no Rio de Janeiro se observa até em bairros como Leblon e Ipanema, os dois mais caros da Zona Sul, onde os moradores vêm sendo castigados por apagões (veja o quadro ao lado). O plano olímpico prevê um investimento de 30 bilhões de reais para resolver algumas dessas precariedades, entre obras de saneamento básico e novas linhas de metrô. Tudo isso é decisivo para valorizar os imóveis no entorno. Diz o consultor Pedro Klumb, estudioso da experiência internacional: “As áreas em que há avanços estruturais logo atraem novos empreendimentos, investidores e moradores”. Um relatório da consultoria inglesa Jones Lang LaSalle situa o Rio hoje em estágio de desenvolvimento parecido com o de cidades como Barcelona e Atenas à época dos Jogos. Estas viveram um boom imobiliário – Sydney e Atlanta, mais organizadas, não. A experiência mostra ainda que, nas áreas vizinhas às instalações olímpicas, a transformação costuma ser radical. No caso do Rio, fala-se de Jacarepaguá, na Zona Oeste, onde, em lugares que não contavam sequer com asfalto, começam a brotar empreendimentos de alto luxo. 

 

 Fonte: Revista Veja.

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